Fui a correr para a sala, e quando entrei estava toda a turma de olhos postos em mim, não me surpreendia, estava com uma cara. Fui bastante insencivel com o rapaz, ele falou-me de uma forma querida e até disse que a culpa era dele, e eu falei-lhe com duas pedras na mão.
Não sei porque, mas a partir daquele incidente, começámo-nos a cruzar bastantes vezes e até algumas trocas de olhares.
-O que é que se passou aqui, Sofia?
-Do que é que estás a falar, Raquel?
-Tu e o Gui?! Voces fizeram grande troca de olhares, e nao digas que nao, eu vi. Afinal acho que o conheces melhor do que aquilo que disseste.
-Não, nada disso. Nao o conheço.
Ela por um lado, tinha razão, acho que aqueles olhares, não são só olhares, pelo menos da minha parte, e acho que conheço-o mais do que aquilo que eu admitia conhecer. Eu pensava nele durante muito tempo.
-Vou andando para casa.
-Sim, eu também Raquel. Até amanha
-Até amanha Sofia
Fui sózinha, pois hoje a Catarina saía mais tarde. Quando cheguei a casa, liguei à Lili para lhe contar o que aconteceu.
-Sofia, eu acho que tu estás atraida por esse rapaz?
-Não Lili. Sabes que nunca fui destas coisas
-Alguma vez tinha de ser a primeira
-Já reparas-te na forma como falas dele? É tão bom, apesar de o veres como uma desilusão, quando falas da sua paixao pelo surf, da sua beleza, é uma maneira tão pura, tu descreves o rapaz como uma criança descreve um brinquedo novo, descreves ele como um sonho para ti.
-Achas Lili? Achas que sinto alguma coisa por ele?
-Sim Sofia, acredita. Tu custumas ter bastantes amigos, e nunca falas-te de nenhum da forma que falas
- Ai Lili, acho que começo a concordar, embora eu nao queira, ele nao me sai da cabeça.
-Tens medo de sofrer?
-Não, nao tenho medo de sofrer.
- Ainda bem que nao tens. Vou ter de desligar, beijinhos. Gosto muito de ti
-Beijinhos, eu também Lili.
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